Para ti! Sim, tu... que queres deitar tudo cá para fora e não tens papel ou saco por perto...

Terça-feira, Maio 02, 2006

um copo cheio de saudades

começa assim.
tenho saudades tuas.
de te imaginar , de me inspirar, de criar e reinventar.
de ficar horas seguidas a olhar-te
embaçiar-me de beijos
sempre com aquele sorriso de quem
saboreia antecipadamente o fim de algo belo.
único.
dos amantes nas entrelinhas.

afastamo-nos,
e fingimos acreditar nisso.

silêncio.

tenho saudades. um grito de certezas
quando tudo isso me parecia impossível.
enquanto vejo-te a passar em pino na minha t.v.
quis ir ter contigo.
quis vir ter comigo.
acho que sempre pensaste que eu estava a brincar.
se ao menos soubesses como é.
saberias onde me levar.
por entre os teus dedos
e lábios,
onde escorre a poesia que silenciamos
durante todo este tempo.
poesia que pensas não entender
essa poesia que está dentro de ti
nesses cabelos selvagens que trazes contigo
no cheiro do teu corpo.
tenho inveja do nosso tempo.
de ter um palmo e meio de sonho a correr sem parar.
tenho saudades de ti.
de me ver ao espelho,
e ter o reflexo do teu sorriso.

Mauro Rodrigues

Segunda-feira, Março 27, 2006

Move-te

Move-te
Faz alguma coisa
Como a água da chuva que ansiosa se precipita
As minhas palavras correm e juntam-se ao rio
E passam por ti sem te regarem
Mas como posso eu pedir que tenhas consciência
Quando não passas de uma bela estátua grega e fria?
Pensar-te é o meu defeito

Move-te
Faz alguma coisa
Imobilidade mórbida de um desmembramento insano
Receber-te em mim é a minha sede
Fixo o olhar em ti e resolvo deixar de respirar
Para me concentrar em ti
Mesmo morta
Olhar-te é o meu vício

Move-te
Faz alguma coisa
No canto do nosso quarto erguem-se pirâmides
A terra rasga-se e elas crescem intrometidas
Desvio-me delas pontiagudas para tentar manter-te sob a minha égide
Neste espaço labiríntico que nos divide
Por entre os prantos os risos e os vícios do Egipto

Move-te
Faz alguma coisa
A mágoa chora na noite triste quando me lembram de ti
Esconjuro-te estátua, porque não ardes
E ao mesmo tempo não te ausentas de mim.
Erva daninha.
Que cresces quando já te pensava esquecida.

Quarta-feira, Março 08, 2006

Mar

Se colocarmos a vida numa aventura no mar
o que te representa?
Há quem diga que és mais uma tempestade
que teima em fazer do meu caminho algo complicado,
onde ondulo sem controlo na tua vontade...
ou talvez um sol abrasador que derrete a força de mudar,
a vontade de seguir, que reprime a saudade...
Prefiro ver-te tal como és...
Uma marina onde me sinto seguro, onde encontro
a razão de navegar, onde o calor e luz são diferentes,
onde a saudade se funde com a vontade....
só lamento não ter permissão para ficar...

o que lhe disseste?

que me perdia no seu olhar como um miúdo a encontrar pela primeira vez o significado das coisas...
que me aquecia com o seu sorriso como um sol num final de tarde de verão que teima em ficar acordado e me arrasta com ele para a escuridão da noite mas com a segurança que volta a brilhar forte no dia seguinte....
que desejava tocar nos seus lábios quentes e suaves como quem adormece para sempre numa acalmia perfeita....

Quarta-feira, Fevereiro 08, 2006

... nada mais!

Só te queria tocar uma vez...
sentir-te nos meu braços...
fazer o tempo parar num eterno abraço...
onde me perdia nos teus lábios aquecidos pelo desejo
e onde dava o que nunca dei...
Só te queria tocar pelo menos uma vez...

Quinta-feira, Janeiro 26, 2006

o sussurrar de um vento quente

Vem quente,
à solta e forte,
vem, vem...
tocar, provar o que se sente
uma dança à chuva, um sorriso no azul escuro da noite
uma sede cada vez maior
onde se bebem copos de sonho e inspiram-se vontades
onde se encontra sem se procurar
onde tudo se vê despido em palavras

Até no silêncio,
na lua, em casa, no chão
no sitio onde as mãos se dão
aqui em ti, aqui em mim
neste tempo que nos tatua por fora
e nos sorri por dentro
nesse braço que se estica
na mão que estende a mão,
desenha-nos o corpo
e faz-nos viver
o luar dos corpos
dança em mim essa vontade
dorme aqui...
dentro de ti
dentro de mim

porque as palavras trazem-te...
...e ao despi-las fico só contigo.

Mauro Rodrigues

Terça-feira, Janeiro 24, 2006

Vamos dar lugar ao sonho

De mãos dadas
vamos ser o lugar
do prazer, de gostar
de sorrir, de mostrar
de fugir p'ra ficar
a sentir, a despir
de ter paz p'ra dormir
e acordar p'ra te ver
por fim assim em mim.

Eu sei, sempre fui assim
talvez queira demais
só sei que o sonho te traz
e o meu sonhar seduz a paz

Quando penso em ti
vou sempre dar a mim
olho a luz e sigo a sombra
e é aqui que os lábios queimam

Muitas vezes o sonho acaba cego
e a memória esconde-se aos sentidos

E os sonhos escondidos de sono vencidos
Cedo entrarão em nós
Se uma noite não chegar
Diz que podes ficar
Vamos deixar o coração fazer o tempo de nascer...

...e crescer devagar.

Mauro Rodrigues

Quinta-feira, Janeiro 12, 2006

Sol

e o que esperar desde fim de tarde?
o dia finda, nada mais me espera. Nada mais espero.
é simplesmente um bom fim de tarde. Sol que se apaga e me aquece, ainda.
Nada mais quero. Que musica, que cheiro, que vento que me arrepia, que fim de tarde.
Nada mais preciso. Que sonho tão bem vivido, sentido.
Nada mais desejo. Partilhar este momento contigo. Mesmo por breves minutos que valem anos.
Que tarde. E ali ficamos a aguardar o espectáculo das nossas vidas se dilua no horizonte.
Nada mais preciso que agora dormir. Domir e acordar para chegar á conclusao que tudo foi apenas
um sonho... um bom sonho.

Terça-feira, Dezembro 13, 2005

Azul Poente

...caminhamos sobre a brisa ardente que nos beija,
dedilhando o silêncio de fim de tarde.
só se ouve o som dos lábios colados,
do grito das vontades acordadas.
gatos pretos saltam e espreitam entre folhas,
que a sombra da noite esconde.
o banco corrido enche-se com o abraço das mãos, cobrindo-o de beijos…
beijos de luz que apagam a noite em nós,
trazem-nos as estrelas, o céu, o nosso mundo...

Mauro Rodrigues

Segunda-feira, Dezembro 12, 2005

Ainda lembro quando começaste a ter "espinhas p'ra andar"...



Quarta-feira, Novembro 30, 2005

num adeus que fica...

As nossas palavras...não as levo para a rua
não as quero perder nos becos escuros que moram aqui ao lado
mas o que ficou não chega para afastar
o frio invernoso destas quatro paredes
Esta silenciosa melancolia que não se gasta
este silêncio grita-me o teu nome, a tua voz, esse teu silêncio

Sei que é urgente destruir certos laços, palavras, silêncios
alguns lamentos, momentos, pensamentos que o vento traz mas não leva
sei que é urgente inventar de novo a alegria que se foi contigo
olho o meu sorriso vazio, tal como a boca seca pelo frio do inverno e da ausência

Tento acertar-me no calor de outras paisagens
mas erro tanto...
porque tive e tenho-te
mesmo sem ti.

Mauro Rodrigues

Terça-feira, Novembro 01, 2005

À luz de uma vela...

Deixa-te envolver pelo calor de uma vela
e encantar pelos mistérios de uma chama acesa...
misturando as nossa cores gota a gota pela tela
retratando o nosso ninho com clareza
numa tela com cheiro...com sabor
com sonhos de pintor...
ali perdidos num verso puro
ali escondidos no nosso amor...

Nela o nosso retrato está pintado para o sempre
o tempo vai passar,
vai remarcar ou amainar,
podem querer sujar ou pintar por cima
mas nada conseguirá apagar o que já foi pintado
a beleza que o papel sugou mesmo sem querer.

Luta comigo, se achas que é preciso.
Luta comigo, se conseguires.
Luta comigo, também para me dares força..
Luta, na convicção do que é melhor!

..Dentro de mim...
Sensação de frio e calor...
um arrepio quente quando tocas a minha pele molhada...

Não me deixes viver na incerteza,
não me deixes a vaguear sem rumo!
Indica-me o caminho, mesmo que este seja até ao fim do mundo...

Mauro Rodrigues

Segunda-feira, Outubro 24, 2005

Inquietação (enquanto a chuva cai lá fora)

Que corda é esta? Que estrela é esta? Que sombra é esta?
que nos une, que faz com que dois pareçam um só?
como se exalássemos a um só suspiro,
como se te lembrasses de mim quando penso em ti!

Conheces demasiado o brilho dos olhos que se fixam nos teus a cada chegada tua…
e eu aqui, no balão de ar quente à espera de uma nuvem destapada
enquanto a flôr no jardim liberta um sorriso

Não sentes? Não ouves?
Este caminhar, estes passos ao lado dos teus,
percorrendo dunas de luar, varridas eternamente pelo vento quente?
São meus... sempre meus...

Sinto-te aqui, toco-te a mão, beijo-te…
e é quando fechamos os olhos que acordamos juntos.

Mauro Rodrigues(09.10.2005 - 19:03)

Quarta-feira, Setembro 28, 2005

A vontade na terra do nunca

quando existe algo de errado?
quando estamos deslocados, escalvados, calados?
quando sentimos o puxar de qualquer coisa...
vontade, raiva, sonhos...
será que deveremos padecer á inércia que teima em ficar?!
Revolta-te... mexe-te... faz.... seduz....
levanta a cabeça e alimenta-te... procura os outros.. as suas energias... boas disposições, saberes. É aí que aprendes...
Cada sorriso que imanas verte uma esperança...
Cada lágrima escorrida seca com a vontade e desejo...
Estás lá... estas a chegar lá....
mas ainda falta um ultimo passo...
talvez o mais importante...
ACREDITAR é a a palavra de ordem numa desordem de pesamentos e sentidos...
procura bem dentro de ti o que te chama... o que te puxa... o que te mostra...
fecha os olhos para os abrires para o mundo... ele esta mesmo aqui... mesmo aqui...
inspira-te em cada rosto, em cada gesto, em cada vontade demolidora...
acaba o que tens pendente e vai... salta... VIVE...
nada mais importa...
estás lá... estás quase lá...
estou lá... estou quase lá...
vou avançar... vou saltar...
vou subir... sorrir....
voar... cantar.... tocar... acreditar...
estou lá... estou quase lá...

procura a voz que te chama e faz vibrar........

vai...
vou...

fui...

Quinta-feira, Agosto 18, 2005

escreve para mim...

Há tanto tempo que não escreves para mim...
enquanto oiço essa voz susurrando-me a memória
enquanto sinto a brisa dos teus sonhos na minha pele, os suspiros das tuas incertezas...
As palavras que guardas para ti ou aquelas que riscas nos teus cadernos.

As dúvidas...
essas caíram no meu jardim
enquanto eu dormia, tentava sonhar.
um eterno aprendiz das escolhas que faço, do espaço
do laço que desfaço ao mínimo embaraço
era assim no passado...

Agora...
agora percorro mil dunas, mil praias
para olhar-te nos olhos
ver o sol ficar maior quando estás no horizonte das mãos
querer correr mais que o tempo
num mar que guarda mistérios.

Diz-me o que vês aqui? Diz-me o que pensas?
O que sente o teu coração?

Oiço um "gosto de ti" em gritos internos
oiço um "fica mais um pouco" no sorriso inocente
oiço "saudades" nos salpicos de chuva
oiço um "preciso de ti" nas noites sem lua
e o que eu não oiço, sinto.

Mauro Rodrigues

Quarta-feira, Junho 29, 2005

Ecos da noite

São passos silenciosos
estes que eu dou
num silêncio vazio
num rumor ao desafio.
Fastio.

O silêncio caiu
O pano desceu
A noite subiu
não havia nada
apenas uma estrada molhada
e passos vazios.

Noite; silêncio. Nada.
Lua morta.
Bato forte os pés no chão.
Grito.
Aflito de aflição.
Não há vazio. Eco.
O silêncio quebrado num uivo estrangulado.
Saiu...

Encolher de ombros.
Olhar de lado.

Mauro Rodrigues